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Coluna da Débora - Reflexões no almoço de domingo: a batata!

Em um domingo desses pensei em comer fora, porém, os planos não deram certo e tive que ir para a cozinha. Então, pensei: vou descascar umas batatas para assar junto com a carne. Peguei as batatas, ou melhor uma só, a maior delas seria suficiente. Por fora ela estava com uma aparência muito saudável, no entanto por dentro era outra história.


Comecei a descascar e percebi um pontinho escuro, sinal que ela não estava assim tão saudável, mas, pensei: bom é só esse pontinho, tiro e pronto. Ledo engano! O "pontinho" descia pelo interior da batata e a consumia toda. Resultado: a batata que mais parecia saudável, foi a que se revelou estragada. A experiência de descobrir isso, levou-me à uma reflexão, a um exame de consciência e à uma oração. Partilho com vocês.

A REFLEXÃO: quando percebi que quase nada poderia ser aproveitado, passei alguns minutos olhando para a lixeira sobre a pia e me peguei a pensar: quantas vezes, também eu, pareço saudável quando na verdade estou nutrindo pontos escuros que me corroem por dentro? Quantas pessoas eu encontro que parecem belas por fora e se revelam podres por dentro? Interessante que eu só descobri a parte podre quando descasquei, com as pessoas também acontece isso: só descobrimos sua realidade quando elas se descascam, porém nem sempre a realidade delas é ruim, na maioria das vezes ainda tem salvação. Ainda que algumas sejam realmente podres, por outro lado tem aquelas que apenas não conseguiram melhorar. Então minha reflexão concluiu-se da seguinte maneira: para conhecer alguém é preciso "descascar" a pessoa e chegar ao seu interior, antes disso não tem como conhecer de fato quem anda ao meu lado!


O EXAME DE CONSCIÊNCIA: enquanto olhava para a lixeira me lembrei do seguinte versículo bíblico "embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão" (Is 1, 18). E pensei, com sinceridade, em meus pecados, naquelas disposições ruins que me fazem optar por caminhos fáceis e egoístas demais. Trouxe à mente aqueles momentos em que decidi seguir às más inspirações e optei por não amar, pois me era cômodo fechar-me e esquecer a mão estendida que precisava da minha ajuda. Este exame de consciência levou-me ao passo seguinte.


A ORAÇÃO: desviei o olhar da lixeira e percebi que, em minha mão, restava um pequeno pedaço, minúsculo em vista do tamanho da batata, mas era um pedacinho bom dela que eu poderia usar. Então a recordação que me veio foi o salmo 50: criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido (citação livre). Mas essa ainda não era minha oração, na verdade o que eu rezei foi a minha livre adaptação desse versículo: Senhor, dai-me um coração que saiba amar, um coração inclusivo e colorido!


Ao olhar para as outras batatas, que precisei descascar, pensei: ela estava ali, no meio delas, mas ninguém conhecia seu interior.


Então, rezei:


Senhor, ajuda-me a olhar para além da aparência. Ajuda-me a identificar "os pontos escuros" naqueles que caminham comigo, antes que eles sejam devorados pelo mal que os consome em silêncio.


Amém!

Débora Pupo é Coordenadora Regional da Dimensão Bíblico-Catequética do Regional Sul 2, da CNBB e autora da coleção "Crescer em Comunhão" e dos livros: "Catequese... Sobre o que estamos falando mesmo?" e "Celebrações no Itinerário Catequético... Sobre o que estamos falado?", todos publicados pela Editora Vozes. Bacharel em Teologia, pela Faculdade Missioneira do Paraná, a colunista também é mestre na mesma área, formada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Curitiba, tendo como título de sua dissertação: "Iniciação Cristã e Catequese com adultos: um caminho para o discipulado".

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