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Gratidão, a alma da oração

Agradecimento (dar graças)


Em um nível superficial, o ato de agradecer é, meramente, uma convenção social. Suas formas variam muito. Em algumas sociedades, a ausência de qualquer expressão verbal de agradecimento indica não uma falta de gratidão, mas, ao contrário, uma consciência mais profunda acerca da mútua pertença, em comparação com aquela que a nossa sociedade consegue alcançar.


Para os povos em questão, uma expressão como “obrigado” pareceria tão inapropriada como dar gorjeta a membros da família nos soaria. Quanto mais perdemos o senso de que todos pertencemos a uma grande família, mais devemos expressar essa pertença, quando ela é atualizada em algum ato de dar e receber. O ato de dar graças, de agradecer, significa dar expressão à mútua pertença. O genuíno agradecimento vem do coração, onde estamos enraizados na pertença universal.


O agradecimento de todo o coração envolve a pessoa integralmente. O intelecto reconhece o dom como tal. O agradecimento pressupõe o pensamento. O arbítrio, por sua vez, reconhece a interdependência entre o doador e aquele que agradece.


E as emoções celebram a alegria dessa pertença mútua. Apenas quando o intelecto, o arbítrio e as emoções se unem o agradecimento se torna genuíno, ou seja, sincero.

 

Sobre o livro:

Gratidão, a alma da oração, é o fruto precioso de muitos anos de ensinamentos. Aqueles que conheceram o Irmão David verão seus gestos, ouvirão a sua voz e sentirão sua presença em cada página deste livro. Aqueles que ainda não o conhecem sentirão que as palavras aqui escritas vêm de um lugar aonde todos os que genuinamente buscam a verdade desejam ir. É o lugar da escuta atenta, da alegria serena e da paz sólida. Embora este livro lide com boa parte dos aspectos da vida espiritual e fale sobre fé, esperança e amor como o seu elemento central, a gratidão é o tema que dá o tom a tudo o que está escrito.


Sobre o autor:


David Steindl-Rast é monge beneditino empenhado no diálogo inter-religioso, especialmente entre cristianismo e budismo, e entre espiritualidade e ciência. Nascido na Áustria, realizou o mestrado na Academia de Belas Artes de Viena e o Ph.D. em Psicologia Experimental na Universidade de Viena. Tornou-se monge em Nova York, logo após emigrar para os Estados Unidos. Com permissão de seu abade, começou a estudar o zen-budismo, tendo como mestres Hakuun Yasutani, Soen Nakagawa, Shunryu Suzuki e Eido Tai Shimano. Fundou, com intelectuais budistas, judeus, hindus e sufis, o Centro para Estudos Espirituais.

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