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Mensagem do Dia do Amigo + desenho para colorir

Jesus como amigo, por Anselm Grün


No Evangelho de João, Jesus chama seus discípulos de amigos: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15).

Ao tempo de Jesus, “servo de Deus” era aquele que estava a serviço de Deus. “Servo” designava na Antiguidade a condição humana em relação a Deus. Só homens muito especiais, como Abraão, são chamados amigos de Deus. Jesus chama seus discípulos de amigos. E Ele mostra em que consiste a essência dessa amizade. Ele partilhou com eles tudo o que ouviu de seu Pai. Ele partilhou com eles seus sentimentos, experiências, conhecimentos e seu amor. Ele fez deles seus confidentes. Ele lhes abriu seu coração. Jesus não oferece aos discípulos sua amizade, mas torna- os amigos pelas palavras que lhes fala e pelo amor com que os ama até o fim. Seu amor é, na verdade, o alicerce de sua amizade: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo15,13). João emprega aqui a tradição helenista de morrer por um amigo para exprimir o mistério da amizade entre Jesus e seus discípulos e o mistério da morte de Jesus. Jesus entregou por seus amigos sua vida na cruz. Eles vivem desse amor. Estão repletos desse amor. O ato unilateral de amor de Jesus faz com que os discípulos se tornem por sua vez seus amigos, ligados pelo amor que flui neles e entre eles.


Na Igreja primitiva, os cristãos davam grande importância à palavra de Jesus de que eram seus amigos. Clemente de Alexandria distingue, no desenvolvimento espiritual dos cristãos, entre o fiel e o amigo. A princípio somos fiéis, mas nosso objetivo é chegarmos a amigos de Jesus e de Deus. Como, no entanto, sobretudo os gnósticos, que eram combatidos pela Igreja, denominavam-se amigos de Deus, a designação dos cristãos como amigos de Jesus não vingou. Preferiu- se, antes, a palavra “irmãos”, que recebeu uma conotação cordial e fervorosa. Mas a palavra “amigo de Jesus” ou “amigo de Deus” sempre foi muito valorizada principalmente na tradição mística. Tomás de Kempis fala na Imitação de Cristo da “íntima amizade com Jesus”. Ela dá ao cristão conforto e segurança. Por isso devemos unir-nos intimamente com Jesus na Sagrada Eucaristia “para que tu fales a sós comigo e eu contigo, como o amante costuma falar com a amada e o amigo costuma proceder com seu amigo”. Nisto se aperfeiçoa a essência da amizade: que somos amigos e amigas de Jesus, que podemos conversar com ele como amigo, que ele nos acompanha em nosso caminho, que nos ama com tal amor que não poupa a própria vida.


Para mim pessoalmente a contemplação da cruz é o lugar onde sinto com mais veemência a amizade com Jesus. Na cruz ele se entregou por mim, sem jamais contar com alguma retribuição minha. Ele me amou, sem que eu houvesse feito nada para merecê-lo. Ele sabia neste seu amor que eu muitas vezes iria passar ao largo e fazer pouco caso dele. Os braços abertos de Jesus na cruz me dizem: “És amado sem restrições. Eu vou contigo, mesmo que te afastes de mim. Estarei contigo, também quando a cruz te atingir. Mantenho meus braços abertos para te abraçar. Espero por ti, até que te lances em meus braços. És livre. Nada exijo de ti. Podes construir sobre mim. Meu coração está aberto para ti. Podes abrigar-te dentro dele com tudo o que trazes”.


Mas a contemplação da cruz me diz ainda outra coisa. Mostra-me que Cristo nos amou na morte até a plenitude. A plenitude do amor acontece na morte. Isto vale para todo grande amor. Não foi à toa que os grandes amantes sempre incluíram a morte em seu amor: Romeu e Julieta, Tristão e Isolda. A amizade só é bem-sucedida se estivermos dispostos a morrer sempre de novo. Precisamos desvincular do outro nossas pretensões, nossas reivindicações de posse, nossas expectativas. A amizade cresce quando se quebram as molduras que fizemos do outro. Às vezes a amizade passa pelas trevas. Tudo em que havíamos confiado se rompe. Nós nos metemos em campo estranho. E para ser um com o outro precisamos morrer, precisamos romper nosso ego, para que se abra ao outro. Por isso vejo na morte de Jesus uma imagem da amizade verdadeira. Só quem passa pela morte do próprio ego pode avaliar a profundeza de uma amizade.


Mas a relação de amor e morte tem ainda outra dimensão. O Cântico dos Cânticos conhece a belíssima frase: “É forte o amor como a morte... Águas torrenciais não conseguirão apagar o amor, nem rios poderão afogá-lo” (8,6s.). O amor ao amigo supera a morte. Ele tem a esperança de algo mais. Gabriel Marcel diz do amor: “Amar uma pessoa significa dizer-lhe: Você não morrerá”. Na amizade existe algo indestrutível, divino, que mesmo na morte não pode ter fim. A amizade atinge assim a experiência decisiva de cada pessoa, isto é, que a morte não consegue destruir nosso amor. E ela atinge a verdade básica de nossa fé, isto é, que fomos redimidos pela morte de Jesus Cristo, que fomos libertados de nossa própria prisão e tornados abertos à verdadeira vida e ao verdadeiro amor.


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