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  • Redação

Orientações litúrgicas: não pergunte se pode ou não pode, mas que sentido tem

Quando qualquer grupo realiza uma ação comunitária, como uma festa ou um jogo, ele segue um roteiro para se compreender em sua comunicação. Assim, não há jogo sem regras. Essas normas ou regras devem ser conhecidas e seguidas por todos os participantes. Caso contrário, em vez de comunhão só sairá confusão. As regras sustentam o jogo, elas são a comunicação do jogo. O que importa mesmo é o jogo, é a festa.



Assim também na sagrada liturgia. Ela é sempre uma ação comunitária da Igreja, comemorando o mistério pascal ou os diversos mistérios de Cristo. As normas ou os ritos constituem como que as regras do jogo, para que aconteça o jogo.


A liturgia se expressa através de sinais sensíveis e significativos da obra da salvação e de glorificação do Deus de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Esses sinais que chamamos também de símbolos são os diversos ritos, constituídos não só de palavras, mas de ações que comemoram e tornam presentes a Páscoa de Cristo e dos cristãos, ou celebram as páscoas dos cristãos na Páscoa de Cristo.


Os ritos, as normas constituem a linguagem dos mistérios celebrados, levam os fiéis entrarem em comunhão com o mistério, a se tornarem um com Deus, por Cristo, na força do Espírito Santo.


Assim existem na liturgia dois aspectos a serem observados.


A liturgia [como ensina o Concílio Vaticano II] consta

de uma parte imutável, divinamente instituída, e

de partes suscetíveis de mudança. Estas, com o correr

dos tempos, podem ou mesmo devem variar, se nelas

se introduzir algo que não corresponda bem à natureza

íntima da própria liturgia, ou se estas partes se tornarem

menos aptas. Com esta reforma, porém, o texto e os ritos

devem ordenar-se de tal modo, que de fato exprimam

mais claramente as coisas santas que eles significam e o

povo cristão possa compreendê-las facilmente, na medida

do possível, e também participar plena e ativamente da celebração

comunitária (SC 21).


Acontece frequentemente em aulas, cursos ou encontros de formação litúrgica que os participantes comecem a perguntar: “Pode isso, pode aquilo?” Costumo responder: “Não pergunte se pode ou não pode, mas que sentido tem tal norma ou tal rito, ou por que tal norma, tal rito”.


Nosso objetivo [neste livro] é explicar o sentido das diversas expressões litúrgicas, procurando sempre seu sentido religioso, seu sentido de linguagem, de comunicação do mistério celebrado e captar e aprofundar o mistério revelado e comunicado por eles.


Assim os leitores serão levados a compreender melhor o que seja a sagrada liturgia, a entender o sentido teológico e espiritual das “sagradas cerimônias” da Igreja. A liturgia será acolhida e vivida como cume e fonte de toda a vida cristã, como a primeira e necessária fonte, da qual os fiéis haurem o espírito verdadeiramente cristão (cf. SC 14).


Claro que a liturgia precisa também de normas, de leis, que orientam e sustentam a ação comunitária, mas elas não são o elemento principal. Assim evitaremos uma compreensão por demais jurídica ou legalista da liturgia da Igreja. Não se cairá em um ritualismo estéril.

 

Sobre o livro:



Este pequeno livro reúne diversos textos escritos por Frei Alberto Beckhäuser para aqueles que buscam orientações e informações sobre as celebrações litúrgicas. Por terem sido escritos de forma independente para diversas ocasiões e tendo em vista as principais dúvidas que lhe eram enviadas pelos paroquianos, os textos são objetivos e foram agrupados de maneira a completarem-se mutuamente. Como pequenas gotas, Frei Alberto fornecia, dessa forma, preciosas orientações que ajudam as comunidades a bem celebrar sua fé.

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