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  • Redação

Os diálogos da missa

A preparação da programação musical de uma celebração eucarística deve focalizar na escolha das partes ordinárias ou fixas dos cânticos na celebração. Isso requer um verdadeiro trabalho, uma reflexão séria e um sentido agudo da liturgia e da assembleia celebrante. Na missa, além das leituras, outros elementos se repetem de celebração em celebração, a ponto de quase nem prestarmos mais atenção neles, ou de considerá-los como um “decoro” ou sobrevivência de práticas litúrgicas de outra época: trata-se dos diálogos. São eles, no entanto, que nos permitem fazer a experiência mais forte daquilo que acontece quando o povo de Deus se reúne para o louvor de seu Senhor.



Para refletir sobre os diálogos da missa, é necessário em primeiro lugar especificar os momentos da celebração eucarística em que eles intervêm.


Toda ação sacerdotal reclama um diálogo: é o caso do início da celebração, antes e depois da proclamação do Evangelho, no momento de entrar na Oração Eucarística, e uma vez concluída, no gesto da paz, no envio final, mas também no final de todas as orações. Esta prática dialogal remonta às origens da liturgia cristã e é um de seus pontos tão característicos que, mesmo na liturgia tridentina, fazia-se necessária a presença de um acólito para responder ao sacerdote.


Não nos ateremos tanto em cada um dos diálogos tomados separadamente, mas antes à sua natureza e ao que eles nos ensinam sobre o dinamismo interior da liturgia. Abordaremos sucessivamente o que supõe o diálogo, suas implicações e o que ele revela. Por fim, consideraremos também a função do canto no diálogo.


Pressupostos do diálogo


O diálogo, segundo a nona edição do Dictionnaire de l’Académie Française, é um termo que remonta ao século XIII. Ele designa, em sua acepção primeira, “o entretenimento entre duas pessoas”, “uma discussão aberta entre dois partidos, dois grupos, em vista de estabelecer as bases de um acordo ou de um compromisso”. Na liturgia, o diálogo faz semelhantemente intervir duas “partes”: o celebrante que preside a assembleia e a própria assembleia.


É fundamental, portanto, garantir esta diferenciação de locutores. O sacerdote atesta que é Cristo que fala, reúne, dá seu Corpo e edifica a Igreja. Em contrapartida, não existe ministério sacerdotal sem povo, como não há Cristo sem corpo eclesial. Assim, a assembleia, na celebração litúrgica, torna-se ela mesma celebrante: não da mesma forma que o sacerdote, mas de forma complementar.

 

Sobre o livro:



A presente obra não tem pretensões científicas no estrito senso da palavra. Ela não traz nenhuma descoberta sobre a história da liturgia e tampouco revoluciona a teologia litúrgica e sacramental. Ela tem por ambição colocar em ressonância o que, muito frequentemente, permanece separado. A arscelebrandi, a arte de celebrar, não pode aperfeiçoar-se senão dando prova de um bom conhecimento, da história, e dos próprios ritos. A liturgia apela para a inteligência, a fim de que a inteligência da liturgia se desdobre.

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