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Reflexão do Evangelho: É preciso festejar e alegrar! | Lc 15,1-3.11-32

4º Domingo da quaresma Lc 15,1-3.11-32


Por Pe. Almerindo da Silveira Barbosa


Neste 4º domingo da quaresma a liturgia nos convida a alegrar nossos corações. Já se aproxima a maior festa cristã, a páscoa de Nosso Senhor. Somos, portanto, convidados a louvar e honrar o Senhor, que vem ao nosso encontro.


Ouvimos São Lucas relatar, no texto do Evangelho, que os fariseus e os mestres da lei estavam criticando Jesus, porque ele acolhia os pecadores. Eles diziam “este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. Jesus, para mostrar a bondade e a misericórdia de Deus, conta-lhes uma parábola.


A parábola do filho pródigo é profundamente comovente. Ela revela a misericórdia de Deus, que acolhe aquele que se arrepende e deseja voltar para a “casa do pai”. Ao mesmo tempo mostra a conversão de alguém que se deixou desviar pelo mau uso da liberdade e, convertido, volta para Deus.


Na história contada por Jesus temos três personagens que divide a atenção dos ouvintes. O filho mais novo, que deseja sair de casa e viver sua vida. O filho mais velho, que permanece com o pai, porém com o coração fechado e a figura do pai, que continua de braços abertos para acolher, não somente o filho que foi, mas, também, o que ficou e precisa se sentir reconhecido e amado em seu lugar.


Às vezes temos a tentação de achar que apenas o filho mais novo é o errado e o filho mais velho o certo. Na verdade, os dois erraram. Arrisco dizer que, o que ficou, errou ainda mais. Enquanto o que saiu arrependeu e voltou, o que ficou fechou em si mesmo e não se abriu à conversão. Quem não se converte, não se alegra com o retorno do outro.


A parábola é, talvez, a mais bela de todas. É rica em ensinamentos. Podemos extrair tantas coisas para nosso crescimento espiritual. vejamos alguns:


Deus é liberdade e assim nos fez. Ele nos permite cair em nosso próprio orgulho. O pai da parábola concede ao filho mais novo a posse de sua herança. Ele poderia negar, uma vez que ainda vivia, mas permite ao filho viver a experiência de gastar tudo que tinha, para depois se redimir e voltar.


Deus tem paciência com nossos erros. Como o pai que teve paciência com a imprudência do filho mais novo, Deus é assim para conosco. Ele nos espera de braços abertos, quando decidirmos voltar.


Deus nos acolhe, quando nos arrependemos. Ao contrário do que muitos pensam, Deus sempre nos perdoará de nossas faltas. Basta que rasguemos nossos corações e nos dispomos a voltar para Ele.


Deus ama de forma igual a todos os seus filhos. Às vezes caímos na tentação de achar que Deus privilegia quem reza mais, quem faz mais caridade, etc. Seu amor é igual para com todos os seus filhos. O importante é que cada um reconheça o seu lugar e faça valer sua condição de filho.


Peçamos a Deus a graça de sermos filhos prudentes e abertos à sua vontade. Não caiamos na tentação de agir como o filho mais velho, importando-nos com o que não é importante. Não deixemos, também, que nossa imprudência nos leve a fazer mau uso de liberdade, assim como fez o filho mais novo.


Que Deus nos dê a sua graça, para sermos como o pai que não aceita o pecado, mas acolhe o pecador sempre. Deus não guarda mágoas e fica sempre feliz quanto tem os seus filhos por perto. Sejamos nós assim também. Estejamos de braços e corações abertos, para acolher quem volta. Só assim deixaremos de ser irmãos e nos identificamos com o Pai.

 

Pe. Almerindo da Silveira Barbosa, formado em Filosofia e Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, o colunista também possui especialização em Ensino Religioso, pela Faculdade do Noroeste de Minas (FINOM), e em Teologia Pastoral, realizada na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Pe. Almerindo é coautor da coleção “Deus Conosco” e do livro Quem é esse Jesus e autor da obra A missa – Conhecer para viver, também publicado pela Editora Vozes.

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