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Reflexão do Evangelho: A boca fala do que o coração está cheio. | Lc 6,39-45

8º Domingo do Tempo Comum


Por Pe. Almerindo da Silveira Barbosa


O Evangelho deste domingo, 8º do tempo comum, é continuidade do texto do domingo passado, em que Jesus falava para viver o amor até suas últimas consequências. Agora Ele continua falando através de parábola.


A comparação que Jesus faz é dirigida aos fariseus, que se apresentavam como guias do povo no caminho da santidade, mas, também, aos seus discípulos, para que eles não ensinem uma coisa e vivam outra. Devem olhar para Jesus e fazer o mesmo. Seus ensinamentos se confundiam com sua vida. O que falava, vivia e o que vivia, falava.


O Evangelho começa com um questionamento de Jesus. Ele quer saber se pode um cego guiar outro cedo. Com a pergunta Jesus quer saber, sem rodeios, se alguém tem moral para ensinar com retidão se sua vida é conduzida por estradas tortuosas, ou se pode falar de luz, se anda nas trevas. Daí que um ensinamento básico oferecido aos seus discípulos é para que o que eles ensinam devem, primeiro, viver.


É muito comum, até mesmo entre nós cristãos, julgar o outro, sem olhar para nossa vida. Por isso que Jesus questiona ao dizer que “vê o cisco no olho do irmão e não percebe a trave que há no teu olho”. Essa incapacidade de olhar para nós e para nossas limitações é que nos faz achar que somos melhores.


A trave nos nossos olhos nos impede de enxergar as nossas fraquezas e as nossas limitações. Quando não temos consciência disso e não fazemos uma auto crítica, corremos um sério risco de cair no abismo e levar conosco muitas outras pessoas.


Portanto, o que Jesus nos ensina no Evangelho de hoje é que, além de viver o que se prega, devemos, constantemente, fazer exame de consciência, para averiguar possíveis desvios e condutas que não conduzem com a mensagem que estamos transmitindo.


A trave dos nossos olhos será reconhecida e tirada, quando tivermos a sensibilidade de perceber que o Espirito Santo atua em nós e purifica nossa vida, com nossos pensamentos, sentimentos e atitudes. Precisamos ter a sensibilidade de deixá-lo agir e falar em nós.


Peçamos ao Espírito Santo Consolador, que nos oriente, nos auxilie e atue em nós, para sermos portadores de sua presença e fazermos aquilo que Jesus pede de nós, ensinando o que se vive e vivendo o que se ensina. Não há outro caminho para vivermos a dinâmica cristã com coerência senão este.


Que o Divino Espirito, nos façam sábios o suficiente para termos condições de julgar menos nossos irmãos e nos dê a capacidade de reconhecer nossas falhas, com a disposição de corrigi-las e mudar de vida. Amém!

 

Pe. Almerindo da Silveira Barbosa, formado em Filosofia e Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, o colunista também possui especialização em Ensino Religioso, pela Faculdade do Noroeste de Minas (FINOM), e em Teologia Pastoral, realizada na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Pe. Almerindo é coautor da coleção “Deus Conosco” e do livro Quem é esse Jesus e autor da obra A missa – Conhecer para viver, também publicado pela Editora Vozes.

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