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  • Redação

Reflexão do Evangelho: A Palavra de Deus habitou entre nós! | Jo 1,1.5.9-14

Homilia do dia de Natal | Jo 1,1.5.9-14


Por Pe. Almerindo da Silveira Barbosa


A liturgia deste dia Santo é muito bela. Quanta riqueza! Bebamos desta fonte inesgotável de espiritualidade e deixemos o Mistério da Encarnação falar ao nosso coração. O Natal só acontece quando deixamos o Menino Deus nascer em nosso coração. Para isso precisamos nos despir de tudo aquilo que está entulhado dentro de nós, como um quarto de despejo, fomos guardando ao longo do ano.


O salmo ((97), desta liturgia diz que “os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus”. Também ouvimos o profeta Isaías (9,2), na primeira leitura dizer: “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz” e São Paulo, na Carta aos Hebreus (1,1), completa: “muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas, nestes dias, ele nos falou por meio de seu filho, a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também ele criou o universo. Este é o esplendor da glória do pai, a expressão de seu ser”.


Deus sustenta todo o universo com o poder de sua Palavra. Isso é maravilhoso! Dito isso, podemos compreender o prólogo do Evangelho desta solene liturgia. Antes, preciso dizer o que significa prólogo. É uma introdução, uma advertência breve, que antecede a obra. No caso aqui do Evangelho de São João é uma exposição introdutória que ele faz sobre o tema de seu Evangelho.


Em João 1,1 diz que: “no princípio era a Palavra e a Palavra era Deus. Tudo foi feito por ela, se sem ela nada se fez de tudo que foi feito. Nela estava a vida e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas e as trevas não conseguiram dominá-la “.... A Palavra estava no mundo e o mundo foi feito por meio dela, mas o mundo não quis conhecê-la ... e a Palavra se fez carne e habitou entre nós... de sua plenitude recebemos graça por graça.... Moisés nos deu a lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo”.


Prestemos atenção, a graça de Deus é uma Criança. A graça de Deus veio até nós através de uma criança. Ela está envolvida em faixas e deitada numa manjedoura. Olha que Mistério: a graça é tão pequena e, ao mesmo tempo, tão grande! A graça é tão frágil e tão forte ao mesmo tempo! Com isso São João diz tudo aquilo que deseja expressar em seu livro. Deus, através da Encarnação de seu Filho Jesus, nos revelou todo o seu Mistério de amor pela humanidade. Ele foi plenamente revelado. O ser humano que, com sua finitude, não consegue abarcá-lo em sua totalidade.


Diante deste Mistério tão simples e frágil, tão fraco e tão forte, como pode ter um coração tão duro, que não se comova? Como pode ter um coração desumano, que não se emocione? Como pode ter uma pessoa tão pecadora, que não queira se aproximar de Deus? Como ser tão insensível, que não sinta o desejo de amar, o desejo de ser bom, o desejo de ser e ter paz, o desejo de se deixar abraçar por Deus?


“Não tenhais medo” de se aproximar! Foi assim que Deus, através do anjo, disse a MARIA, a JOSÉ e aos PASTORES de Belém. É assim que Deus diz a cada um de nós. Não nos afastemos do Mistério! Deixamos a graça de Deus tomar conta de nossa vida. Ela veio ao nosso encontro, trazendo a Paz, o Perdão e a Misericórdia. A graça é Jesus. ele é o nosso Salvador e Redentor!


Desta graça ninguém está excluído de participar. Mas, prestemos atenção: ela vem pobre, humilde, pequena, frágil. Ela vem em forma de criança. Somente poderá ser reconhecida se estivermos atentos aos seus sinais e às coisas pequenas. Se estivermos atentos aos irmãos mais frágeis.


O Menino Deus somente foi encontrado e reconhecido pela pobre Virgem Maria, pelo humilde José, pelos desprezados pastores. Os soberbos, os prepotentes, os orgulhosos jamais receberão esta graça. Deus se revela nas coisas pequenas e simples. Estejamos atentos à sua presença em nosso meio. Pela Manjedoura de Belém Jesus se manifesta ao mundo pequeno, frágil, simples e pobre. Vem ao mundo sem um lugar preparado para o acolher. Durante toda a vida passou fazendo o bem, amando incondicionalmente as pessoas. Na cruz, assumiu o erro da humanidade inteira, para que, através daquele gesto, toda a humanidade pudesse ser resgatada e salva.


Que neste Natal possamos estar preparados e atentos, para recebermos a graça de Deus em nossa vida. O Mistério será revelado a todos os homens. Nem todos contemplarão, pois não estarão disponíveis e preparados para acolhê-Lo.

 

Pe. Almerindo da Silveira Barbosa, formado em Filosofia e Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, o colunista também possui especialização em Ensino Religioso, pela Faculdade do Noroeste de Minas (FINOM), e em Teologia Pastoral, realizada na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Pe. Almerindo é coautor da coleção “Deus Conosco” e do livro Quem é esse Jesus e autor da obra A missa – Conhecer para viver, também publicado pela Editora Vozes.


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