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Reflexão do Evangelho: As prostitutas vos precedem no Reino de Deus | Mt 21-28-32

Por Pe. Almerindo da Silveira Barbosa

A parábola que a liturgia nos propõe no Evangelho, mais uma vez, coloca em dúvidas nossas garantias religiosas. Domingo passado, Jesus nos chamava a atenção pela nossa maneira de interpretar a justiça de Deus. Agora, ele quer provocar a nossa conversão, fazendo com que deixemos de pensar que Deus pensa como nós, que age como nós. Deus é Deus e, portanto, completamente diferente de nós que somos humanos, limitados, inacabados e imperfeitos.


A narrativa fala de dois filhos com atitudes diferentes. Os dois são convidados a trabalhar na vinha do pai. O primeiro reage no impulso e logo diz um não ao pai. Mas depois repensa e vai trabalhar. O segundo é o filho mais comedido, que diz sim senhor, eu vou. Mas acaba não indo trabalhar.


O primeiro filho representa todos nós que, com nossos impulsos, muitas vezes dizemos não a Deus, mas depois nos arrependemos pela resposta dada e nos enveredamos para o caminho que o Senhor nos propõe. O segundo filho representa os que vivem para Deus somente no exterior de suas vidas. Dizem sim, mas não são capazes de fazer nada que se propõe. São os que vivem da exterioridade, mas seus corações estão cheios de si mesmo.


O primeiro filho tem consciência de suas fraquezas e limitações. Tem consciência de que disse não a Deus e por isso se arrepende. Não tenta enganar nem a Deus nem a si mesmo, cumprindo preceitos que não condiz com a prática da vida. Já o segundo filho faz muitas coisas, mas estas ficam somente na exterioridade. Faz por fazer, pois vive a religião do cumprimento da lei e da troca, onde o que faz é para receber algo de Deus.

Depois da parábola, Jesus diz que uns entraram no Reino de Deus e outros não. Somente entra no Reino de Deus quem se compromete a praticar a justiça. E dar o exemplo dos cobradores de impostos e as prostitutas, para dizer que o Reino é para quem ouve e faz a vontade de Deus. Portanto, é para os que crêem.


Assim, amados leitores, a mensagem do Evangelho de hoje nos ensina que nem sempre nosso sim agrada a Deus, mas o nosso arrependimento. Nem sempre os que são assíduos em suas Igrejas e delas participam ativamente entram no Reino dos céus, mas os que fazem a vontade do Pai. E a vontade de Deus é expressa na pessoa de seu filho que veio não para ser servido, mas para servir. Não para os sãos, mas para os doentes. Não para os santos, mas para os pecadores. Não para a morte, mas para a vida.


Não podemos julgar pela aparência, pois nós vemos o corpo, os atos externos. Deus vê o coração. Sabemos tem muita gente que não é de ir às igrejas, de rezar belas orações e dizer: Senhor, Senhor, mas tem uma prática de justiça que agrada aos olhos de Deus, pois o que conta para Deus é o cumprimento da justiça (Cf. Mt 3,15).

Pe. Almerindo da Silveira Barbosa, formado em Filosofia e Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, o colunista também possui especialização em Ensino Religioso, pela Faculdade do Noroeste de Minas (FINOM), e em Teologia Pastoral, realizada na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Pe. Almerindo é coautor da coleção “Deus Conosco” e do livro Quem é esse Jesus e autor da obra A missa – Conhecer para viver, também publicado pela Editora Vozes.

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