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Reflexão do Evangelho: Domingo da Ressurreição | Jo 20,1-9

Por Pe. Almerindo da Silveira Barbosa

Ele viu e acreditou!


Chegamos ao domingo da Páscoa! O Senhor ressuscitou, aleluia! Ele venceu a morte e dissipou as trevas. Com sua vitória, deu-nos também a vida nova. Hoje chegou para nós o dia sem ocaso, pois a luz da ressurreição brilhou em nossa vida.


O texto proposto para este dia de glória, ao invés de ser chamado de Evangelho da ressurreição, nós o conhecemos como o sepulcro vazio, para nos ensinar que a ressurreição é indescritível. Mais do que falar sobre ela, o melhor é experimentar e vivenciá-la.


Três personagens entram em cena no texto: Maria Madalena, Pedro e o discípulo amado. Ao iniciar o texto já se contempla o verdadeiro retrato da comunidade, que ainda não vivenciou a ressurreição. É o primeiro dia da semana e Maria Madalena vai ao túmulo de Jesus, de madrugada, quando ainda estava escuro e não encontra o corpo. Ela ainda está confusa, não acredita no que aconteceu. Preocupada volta para anunciar aos dois discípulos que “retiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”.


Com a notícia de Maria Madalena, também Pedro e o Discípulo Amado vão até o túmulo para averiguar a informação recebida. É interessante um detalhe no texto em que diz que “os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo”. É uma riqueza neste detalhe que podemos aprender muito.


Primeiro: a pressa do discípulo amado, que revela sua fidelidade, testada aos pés da cruz do Senhor. Foi um dos poucos que permaneceu ali, diante do sofrimento e da entrega da vida de Jesus. Porque ele fez a experiência do amor de Jesus em sua vida, logo acredita na ressurreição.


Segundo: o discípulo amado não tem nome. Certamente para dizer que pode ser cada um nós, que fizemos a experiência do amor do ressuscitado em nossa vida e acreditamos que a vida sempre vence a morte.


Terceiro: o desânimo de Pedro. Ele correu junto com o discípulo amado, mas não chegou junto. Pedro ainda tem dificuldades de acreditar na ressurreição. Está preso à morte. Seu desânimo também pode ter acontecido por ter sido tão incoerente com Jesus, inclusive negando-O.


Quarto: o discípulo amado chega primeiro. Viu os panos no chão, mas não entra. Espera Pedro, para que também ele faça a experiência do ressuscitado em sua vida. Depois disso recupera tudo aquilo que ainda era escuro e dúvida em sua caminhada de fé.


Assim, podemos resumir o Evangelho de hoje dizendo que ao encontro do ressuscitado todos nós vamos. Uns caminham mais rápido, outros mais devagar. O importante é que todos que se dispõem ir ao encontro do Senhor ressuscitado fazem essa experiência profunda de contemplar a vida nova, através da ressurreição. Quem chega primeiro é preciso ter paciência. Cada um tem seu tempo e caminha, de acordo com os passos que podem dar, mas chegará. Para uns demandará mais tempo. Para outros menos tempo. O importante é não se perder no caminho e seguir a direção do túmulo vazio e, ao chegar, ver, acreditar e proclamar de que “Ele não está aqui. Ressuscitou!


Que não fiquemos estagnados na vida, diante das nossas dúvidas, mas corramos ao encontro de Jesus ressuscitado, crendo naquilo que Ele nos ensinou. E que possamos, pela fé, encontrá-Lo dentro de nós, em nossa família, nas pessoas e em nossa comunidade.

Pe. Almerindo da Silveira Barbosa, formado em Filosofia e Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, o colunista também possui especialização em Ensino Religioso, pela Faculdade do Noroeste de Minas (FINOM), e em Teologia Pastoral, realizada na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Pe. Almerindo é coautor da coleção “Deus Conosco” e do livro Quem é esse Jesus e autor da obra A missa – Conhecer para viver, também publicado pela Editora Vozes.

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