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Reflexão do Evangelho: Não tenhais medo pequeno rebanho! | Lc 12, 32-48

Por Pe. Almerindo da Silveira Barbosa

19º Domingo do Tempo Comum | Lc 12, 32-48


Hoje o trecho do Evangelho nos mostra que o mercantilismo do Império Romano era muito forte no tempo de Jesus. Ele levava as pessoas a buscarem falsas ilusões de riqueza e bem-estar. A realidade de outrora, não é diferente do tempo presente. Em nossos dias, temos que ficar vigilantes e atentos diante das ilusões do mundo.


Diferente dos empreendimentos humanos e do acumulo de bens materiais, Deus se alegra em entregar o seu reino a um grupo pequeno e frágil. “Não tenhais medo pequeno rebanho, porque foi do agrado do Pai dar a vós o reino”.


Para São Lucas, a comunidade cristã é o pequeno rebanho no mundo que não vive, nem compactua com o sistema vigente. É pequeno rebanho, para dizer que ele vive diante da grande força do sistema do Império Romano. Por isso as palavras de encorajamento: “Não tenha medo, pequeno rebanho, porque o Pai de vocês tem prazer em dar-lhes o Reino”.


O rebanho não precisa ter medo porque, mesmo não tendo muitos bens materiais, terá os bens muito mais valiosos, que são os bens do Reino. Estes bens chegarão na medida em que o rebanho viver a partilha do que tem, se colocando na contramão da sociedade da ganância e da exploração. Por isso Jesus adverte, “onde está o seu tesouro, aí estará também o seu coração”.


Portanto, o Evangelho, deste domingo, nos interpela a fazer uma reflexão mais aprofundada sobre quais são os valores da nossa existência. Onde realmente estão os tesouros de nossa vida? Certamente todos queremos que nossos corações estejam em Deus e sejam para Deus, mas buscamos e vivemos tesouros que não condizem com essa realidade. É preciso configurar os tesouros que buscamos com os desejos para nossos corações.


Assim, o Evangelho é um forte apelo à vigilância, para que o nosso verdadeiro tesouro seja, de fato, condizente com os valores do reino de Deus, que é a vivência do serviço fraterno, da partilha, do amor e da solidariedade. Assim vivendo, concretizaremos o projeto de Jesus e nos contrapomos ao projeto da ganância, da ambição, do poder e da dominação.


Estejamos atentos para o que, de fato, significa a vigilância. Não é ficar de braços cruzados, esperando a volta de Jesus. É assumir as responsabilidades e as tarefas de cada dia, praticando os valores do projeto do reino de Deus, que Jesus instaurou.


Que possamos permanecer vigilantes, não sendo cristãos que vivam no sono da inércia. Tenhamos a coragem de colocar em prática aquilo que Jesus disse, para que estejamos com os nossos cintos apertados e as nossas lâmpadas acessas, sendo, de fato, pessoas que esperam no Senhor e sabe que, quando ele voltar, vai de fato nos encontrar nessa atitude de vigilância.

 

Pe. Almerindo da Silveira Barbosa, formado em Filosofia e Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, o colunista também possui especialização em Ensino Religioso, pela Faculdade do Noroeste de Minas (FINOM), e em Teologia Pastoral, realizada na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Pe. Almerindo é coautor da coleção “Deus Conosco” e do livro Quem é esse Jesus e autor da obra A missa – Conhecer para viver, também publicado pela Editora Vozes.

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