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Reflexão do Evangelho: Tu me amas? | Jo 21,1-19

3º Domingo da Páscoa


Por Pe. Almerindo da Silveira Barbosa


Jesus ressuscitado, mais uma vez, aparece aos discípulos. Eles estavam à beira do mar de Tiberíades. Pedro disse aos demais “eu vou pescar”. Os outros discípulos disseram que iriam também. Saíram e entraram na barca. Não conseguiram pescar nada. Era noite.


O dia já tinha amanhecido. Jesus estava, de pé, na margem do mar. Mesmo os discípulos não O reconhecendo, Jesus pede algo para comer. Dizem que não tem nada. O ressuscitado faz o desafio a eles, para lançarem a rede à direita da barca e acharão peixes.


Os discípulos obedeceram e pescaram uma grande quantidade. É, neste momento, que João diz a Pedro que aquele seria o Senhor. Ao ouvir isso Pedro corre e vai se vestir, porque estava nu e atirou-se ao mar. É interessante que, quando João reconhece o Senhor, não vai ao seu encontro. Fica na barca. Prefere ficar contemplando. Pedro, ao contrário, corre, se veste e vai ao encontro do Senhor. Mas isso não é um problema. O que importa mesmo é que todos chegaram a Jesus.


Quando os discípulos estavam em terra viram brasa, peixe e pão. Jesus pediu algo para comer, agora, os discípulos chegam e já tem o alimento pronto para todos. É importante saber que, para João, o peixe e pão são símbolos do próprio Senhor, portanto, da Eucaristia. É o próprio Jesus que se oferece aos seus e faz o convite para que possam vir e comer.


Após todos comeram e ficarem saciados, Jesus chega à Pedro e lhe pergunta se ele o ama. Vejamos algo que, talvez, não sabíamos. Jesus pergunta a Pedro se ele o ama no amor ágape, o amor entrega, doação. Pedro, por sua vez, responde no amor filia, o amor de amigos. Já a última vez que Jesus faz a pergunta, inverte-a dizendo a Pedro, se ele o ama no filia e Pedro responde no mesmo amor, ou seja, no amor filia.


Jesus perguntava, Pedro você me ama no amor ágape? Pedro respondia, Senhor, eu o quero amar no amor filia. É como se Pedro dissesse, Senhor, como todos amam não quero amar. Quero lhe amar como amigo, num amor que só eu posso oferecer. Pedro quer ser amigo particular do Senhor e não quer amar com um amor universal, igual de todos.


Somente depois que Pedro entende o diálogo é que recebe a missão de apascentar as ovelhas e o convite para seguir Jesus. Só agora ele entrará na fase da maturidade, porque entendeu a pergunta de Jesus. Por isso Jesus diz que, “quando era jovem ia onde queria. Quando ficar velho outro lhe estenderá as mãos”. Ou seja, será o momento que vai chegar ao ápice do discipulado e entenderá, perfeitamente, a cruz de Cristo.


Portanto, quando Pedro ouve o convite de Jesus para segui-Lo, entende tudo. Agora se identificará plenamente com o Senhor e saberá que, também, morrerá na cruz, como o seu Mestre. Por questão de dignidade morre de cabeça para baixo.


Como Pedro, nossa vida será transformada, quando entendermos o verdadeiro sentido do amor que Cristo pede de cada um de nós. Só assim, tocado por Ele, conseguiremos tocar e amar como Ele toca e ama. Que, então, possamos deixar o Senhor fitar seu olhar para nós, para sermos tocados e amados por Ele.


Amém!


 

Pe. Almerindo da Silveira Barbosa, formado em Filosofia e Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, o colunista também possui especialização em Ensino Religioso, pela Faculdade do Noroeste de Minas (FINOM), e em Teologia Pastoral, realizada na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Pe. Almerindo é coautor da coleção “Deus Conosco” e do livro Quem é esse Jesus e autor da obra A missa – Conhecer para viver, também publicado pela Editora Vozes.

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