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Reflexão do Evangelho: Vós sereis testemunhas de tudo isso! | Jo 24,46-53

Solenidade da Ascenção


Por Pe. Almerindo da Silveira Barbosa


Neste sétimo domingo da Páscoa celebramos a Solenidade da Ascenção do Senhor. Esta festa, celebrada quarenta dias, após a ressurreição de Jesus, nos revela que a sua humanidade, assumida e redimida, foi por Ele elevada à plena comunhão com Deus. Por isso, somos convidados a dirigir o olhar ao nosso Redentor que, se elevou e uma nuvem O ocultou dos olhos dos discípulos.


O texto do Evangelho, com a expressão de Jesus a seus discípulos, quando diz que “assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia”, é para mostrar que, os discípulos, que ainda estavam apreensivos e decepcionados com os últimos acontecimentos, possam acolher o desfecho final da vida de Jesus, como cumprimento das Escrituras. Só assim, poderão aceitá-lo como o Cristo e proclamá-lo, como Senhor de suas vidas. Pelo seu nome, “serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados”.


Continua o Evangelho, em que Jesus diz que os discípulos serão testemunhas dessa realidade. Sobre eles será enviado o Espirito Santo e serão revestidos por sua força. Jesus chama o Espirito Santo de “o prometido de meu Pai”, porque Deus Pai prometeu, por meio dos profetas, que enviaria o Espírito Santificador. É ele que dará aos discípulos uma força sobrenatural e, por ela, tornarão instrumentos eficazes da missão que o Senhor lhes confiou.


Aos discípulos é feito um pedido, para permaneçam em Jerusalém, até que sejam “revestidos da força do alto”. Jesus quer que eles esperem ali. A missão é para sair para o mundo e conquistar as pessoas para o Reino. Porém, na força do Espirito é que serão protegidos e receberão a força e os meios para isso. Não precisariam sair desesperados. Serão protegidos e guiados. Por isso devem esperar.


Por fim, Jesus levou os discípulos para outro lugar e ali os abençoou. Levantou as mãos em sinal de oração, pediu proteção ao Pai e ofereceu-lhes a benção. Depois disso se elevou aos céus, para ser o advogado junto do Pai. Jesus volta ao estado em que possuía, deste sempre, a sua glória celeste.


A narrativa termina dizendo que os discípulos voltaram para Jerusalém com grande alegria e estavam sempre no Templo, louvando e bendizendo a Deus. Embora fisicamente distante de Jesus, eles sabem que, através de Sua glória, o ressuscitado, continuará amparando, não deixando-os sozinhos e desprotegidos. Por isso voltam para Jerusalém, com a certeza de que Cristo estará com eles e a eficácia de seu poder ajudará, para que consigam desenvolver a missão, com alegria, vigor e entusiasmo.


Celebrar a Solenidade da Ascensão do Senhor é viver a certeza de que a Igreja renova a sua fé na vitória de Cristo. Ele voltou para a Sua glória, mas prometeu e enviou o advogado, para defender e proteger a missão que foi iniciada por ele e, agora, continuada pela comunidade de fé.


Celebrar, ainda, a Ascensão do Senhor é renovar a nossa consciência de que Ele nos abençoa e nos confirma na missão de continuar sua obra. Devemos ter a certeza e convicção de que não estamos desamparados. Pelo contrário, Ele nos revestiu de sua armadura. Por ela somos protegidos de todos os perigos e males. Jesus não nos abandona. Ele continua caminhando conosco. Seu Espírito vai abrindo nossos caminhos e iluminando nossos passos.

 

Pe. Almerindo da Silveira Barbosa, formado em Filosofia e Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, o colunista também possui especialização em Ensino Religioso, pela Faculdade do Noroeste de Minas (FINOM), e em Teologia Pastoral, realizada na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Pe. Almerindo é coautor da coleção “Deus Conosco” e do livro Quem é esse Jesus e autor da obra A missa – Conhecer para viver, também publicado pela Editora Vozes.

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