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  • Redação

A saudação da paz

Os antigos cristãos diziam que o ósculo da paz era o selo da oração. Realmente, depois da Liturgia da Palavra e da oração dos fiéis, ou depois do Pai-nosso rezado com os neobatizados, os cristãos se saudavam por um ósculo. No rito romano este gesto de amor e união fraternos passou para depois do Pai-nosso, antes da Comunhão, e acabou sendo restringido aos ministros do altar.





A atual reforma da Missa estendeu este gesto a toda a assembleia, conforme a conveniência e os costumes locais. Trata-se de uma saudação ritual; tem, portanto, o valor pelo seu significado.


A oração em comum e de modo particular a Eucaristia e o Pai-nosso orientam todos para o Senhor e Pai comum. Tem a capacidade de congregar, reconciliar, unir a todos os irmãos na caridade. Não seria possível unir-se em Cristo com o Pai pela oração eucarística, não seria possível proclamar sinceramente a Deus como Pai e prometer fazer sua vontade, não seria possível unir-se pelo alimento do mesmo pão, guardando rancor ou ódio no coração. A união com Cristo e com o Pai não se realiza se não se concretizar a união entre os irmãos.


Por isso, após a oração eucarística e o Pai-nosso e antes da Comunhão, os cristãos desejam expressar por um gesto de união e de amor o que se realizou na oração comum e se há de manifestar ainda mais profundamente na hora da Comunhão: a conversão a Deus e ao próximo.


Por vezes a saudação da paz será aquele sinal de reconciliação fraterna do qual fala Nosso Senhor no Evangelho: “Se estás para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão: só então vem fazer a tua oferta” (Mt 5,23-24).


Conforme as circunstâncias este gesto obterá um significado particular. Pode significar alegria numa festa, apoio e solidariedade no sofrimento.


A expressão mínima de saudação será a inclinação de cabeça. Contudo os conhecidos costumam saudar-se dando-se a mão. O abraço já é uma forma de maior intimidade, ao passo que o beijo na face se apresenta entre nós como expressão normal de saudação entre senhoras e casais. A saudação após a oração do Pai-nosso na Missa ou em outras assembleias de oração poderá ter estas formas, seguindo a maneira de se saudar com naturalidade na comunidade dos irmãos em Cristo. A saudação exprimirá, pois, a paz que nos une no amor de Cristo, paz com Deus e com o próximo, paz adquirida por uma atitude de oração, constituindo-se, desta forma, num gesto de profundo engajamento de vida na caridade.

 

Sobre o livro:



Este livro fala da linguagem na Liturgia. Nela o ser humano todo procura entrar em comunhão com seu Deus. Ele, por sua vez, se comunica através de sinais que significam e transmitem a graça. Aqui o autor procura desvelar o mistério contido nos principais símbolos da Celebração católica dos sacramentos.

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