• Redação

Catequistas, especialistas em humanidade

Amigos e amigas, vamos continuar a falar de catequese? Mais precisamente do catequista?


O novo Diretório para a Catequese, na letra c do número 113, diz que o catequista é “acompanhador e educador daqueles que lhes foram confiados pela Igreja [...], especialista em humanidade, conhece as alegrias e as esperanças de cada pessoa, suas tristezas e angústias (GS, n.1) e sabe colocá-las em relação com o Evangelho de Jesus”. Pois bem, segundo o Diretório, nós catequistas somos especialistas em humanidade, estou cá a me perguntar: o que significa ser “especialista em humanidade”?


Enquanto penso me vem à mente um personagem do livro “O Pequeno Príncipe”: o Geógrafo, que o Principezinho encontra no asteroide 330, antes de chegar na terra. Esse personagem está ocupado demais em registrar “coisas eternas, que não estão fadadas a desaparecer”, ele quer a segurança das montanhas que não mudam. Já as rosas e as flores, são mutáveis e frágeis demais para que ele possa se interessar por elas. Ao olhar, bem de perto, para o Geógrafo, percebo que ele não conseguiria ser “especialista em humanidade”, quer saber porquê? É simples: ele não consegui lidar com o efêmero, com o que está fadado a desaparecer. Nós, meros humanos, não somos eternos, somos seres concretos em constante mudança.


Se o catequista é especialista em humanidade, ele precisa desenvolver uma personalidade diferente do Geógrafo e saber olhar a fragilidade e a efemeridade com o coração de quem se reconhece pequeno e limitado, e por isso mesmo, amado por Deus e escolhido para anunciar o Evangelho. Não se trata de cuidar apenas das verdades eternas da fé. Diz respeito ao desafio de colocar a vida do catequizando em relação com o Evangelho.


E aqui, novamente, recorro a um personagem do Pequeno Príncipe: agora o vendedor de pílulas de água que o pequenino encontra antes de chegar até o aviador. Esse vendedor oferece ao Príncipe pílulas que, em tese, diminuem a sede e economizam o tempo. Mas atenção: é água processada e não água da fonte. Tanto que o Pequeno Príncipe ao rejeitar as pílulas se põe a pensar: com esse tempo que economizei eu iria caminhando, calmamente, até uma fonte.


Em nossa catequese precisamos apresentar a fonte de água viva, capaz de saciar toda sede, e não substitutos, ou pílulas processadas que amenizam a sede, mas não saciam.

Outro pensamento que ecoa em meu coração é o seguinte: se os catequistas precisam ser, para os catequizandos, especialistas em humanidade. Quem será, para com os catequistas, companheiro e educador para que eles possam, ao reconhecer seus limites, ver sua vida iluminada pelo Evangelho? Quem conduzirá os catequistas à fonte de água viva que sacia toda sede?


Para responder essas perguntas reflito sobre a importância da formação, do ministério da coordenação e do grupo de catequista. Sim, precisamos estabelecer laços de amizade que nos leve a cuidar do outro, nossos projetos formativos precisam contemplar o acompanhamento dos catequistas, para que não se sintam sozinhos. Também aqui não podemos oferecer pílulas que remediam a situação, antes a formação dos catequistas precisa ser caminho de conversão e transformação. Ao cuidar de nossa humanidade, conseguiremos desenvolver a sensibilidade necessária para cuidar da humanidade de nossos catequizandos e de suas famílias.


Sim, a missão é exigente. Sim, são muitos desafios e responsabilidades. Mas se caminharmos em comunidade, se nos cuidarmos saberemos crescer e perceberemos que, ser especialista em humanidade nada mais é que se assemelhar ao Mestre que nos chama e envia.


Força catequistas desse lindo Brasil! Nossa missão é bela demais para nos perdemos em meio à tristeza e ao desânimo!


Celebre seu dia, agradeça sua vocação, renove seu sim, louve a Deus pela sua vida e sua missão, ainda que não esteja, efetivamente, exercendo seu ministério junto à um grupo de catequizandos. Seja feliz, pois são catequistas felizes que se tornam especialistas em humanidade!


Até a próxima!


Débora Pupo é Coordenadora Regional da Dimensão Bíblico-Catequética do Regional Sul 2, da CNBB e autora da coleção "Crescer em Comunhão" e dos livros: "Catequese... Sobre o que estamos falando mesmo?" e "Celebrações no Itinerário Catequético... Sobre o que estamos falado?", todos publicados pela Editora Vozes. Bacharel em Teologia, pela Faculdade Missioneira do Paraná, a colunista também é mestre na mesma área, formada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Curitiba, tendo como título de sua dissertação: "Iniciação Cristã e Catequese com adultos: um caminho para o discipulado".


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