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Coluna da Débora: Mãe educadora da fé

Estamos em maio, mês das noivas, mês de Maria, mês das mães. Sei de toda a discussão sobre os chamados “meses temáticos”, mas não conseguimos escapar, continuaremos a enfatizar algumas datas e, particularmente, considero isso positivo. Quero nesse mês, aqui em nosso espaço, homenagear as mães e as mães catequistas.

Minha amada mãezinha já é falecida, desde 2016 que ela é minha intercessora bem perto de Deus. Maria era seu nome e ela foi catequista por muitos anos, sempre digo que meu amor pela catequese surgiu por vê-la sair com seus materiais e com a Bíblia para a catequese. Foi dona Maria quem me educou na fé, foi ela quem me ensinou a rezar, foi ela que transmitiu para os filhos uma fé inabalável que não se pautava por milagres instantâneos, mas que se tornava força de vida.


Hoje, tão distante dos anos da infância e sem a presença física de minha mãe, me coloco a pensar em tantas mães que exercem a missão de catequizar e uma imagem se destaca: mãe como educadora da fé, mulher como educadora da fé!


Por vezes romantizamos a maternidade, outras a transformamos em um peso, um fardo do qual se deve fugir. Não gosto dos extremos, considero a maternidade como uma vocação e, exatamente por isso, tem que não sente o chamado à vocação da maternidade e tudo bem, não serão menos mulheres por isso.


Mas voltando à ideia de mãe como educadora da fé, como aquela que transmite ao filho e filha a beleza da fé cristã. O Papa Francisco diz que a “educação dos filhos deve estar marcada por um percurso de transmissão da fé” (AL, 287), no entanto a transmissão pressupõe a experiência de fé, por isso para a catequese deve ser prioridade ajudar, em especial, as mães nesse percurso de vivência e transmissão da fé.


Talvez você até possa dizer: mas transmissão da fé e papel tanto do pai como da mãe. E você está certo, no entanto olhemos hoje para as mães nesse cenário (quem sabe em agosto olhemos para os pais!). Como podemos ajudar as mães a serem educadoras da fé? Como orientá-las para que transmitam aos filhos e filhas a beleza de uma fé fundamentada na Palavra de Deus e na celebração dos sacramentos? Como acolher as que, eventualmente, encontram dificuldades em sua missão? São perguntas que precisamos nos fazer quando propomos a formação de catequistas.


Em nossas comunidades muitas catequistas são também mãe e, além de educar a fé dos próprios filhos, educam a fé dos filhos da comunidade, em alguns casos elas são a única figura feminina na educação da fé de crianças e adolescentes. Exercer essa característica própria da maternidade não torna as catequistas mães postiças, mas as envolve em uma dinâmica de transmissão que precisa se orientar pela certeza de que se está transmitindo a beleza da fé cristã e não um conjunto frio de preceitos que não tem relação com a vida.


As catequistas não substituem as mães, no entanto, em muitas situações elas assumem a missão de educadora da fé de meninos e meninas que não encontram em casa um ambiente educador. Por vezes a fé dos filhos encontra divergência com a fé dos pais, nesses momentos a catequista se apresenta como um ponto de equilíbrio, é quem demonstra a beleza da fé cristã-católica como espaço privilegiado de realização plena do seu humano.


Ser mãe é vocação. Ser catequista é vocação. Ser mãe catequista é exercer a missão de educar na fé e orientar para o encontro com Jesus, nosso Mestre e Senhor!


Para todas as nossas leitoras: desejo um feliz Dia das Mães!

Débora Pupo é Coordenadora Regional da Dimensão Bíblico-Catequética do Regional Sul 2, da CNBB e autora da coleção "Crescer em Comunhão" e dos livros: "Catequese... Sobre o que estamos falando mesmo?" e "Celebrações no Itinerário Catequético... Sobre o que estamos falado?", todos publicados pela Editora Vozes. Bacharel em Teologia, pela Faculdade Missioneira do Paraná, a colunista também é mestre na mesma área, formada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Curitiba, tendo como título de sua dissertação: "Iniciação Cristã e Catequese com adultos: um caminho para o discipulado".

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