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Coluna da Débora: Mãe educadora da fé - Parte II

Leia a Parte I clicando aqui.


Muito se fala que ser mãe é ser educadora na fé, pois o que significa isso realmente? Mais uma vez retorno ao exemplo de minha mãe dona Maria, hoje acrescido com o de minha avó materna dona Carmem, duas mulheres de fibra que muito me ensinaram e que, literalmente, me levaram para a igreja.

Desde pequena eu tive contato com orações, novenas, devoções, pois minha avó era uma das fundadoras da Legião de Maria e do Apostolado da Oração em nossa cidade e minha mãe era catequista, consagrada como Filha de Maria. Logo se vê que, na minha casa, a oração era algo sério. Eu cresci nesse ambiente, eu cresci vendo minha avó sempre com o terço na mão e minha mãe sempre com uma "dezeninha" entre os dedos.


Esses exemplos familiares, unidos ao belo costume de tomar a benção da mãe e da vó, imprimiram em mim uma espiritualidade alicerçada na oração, na devoção à Maria e na compreensão de que o terço era uma recitação constante que nos acompanhava desde o amanhecer. Outro destaque que faço era quando eu as acompanhava à missa, ainda me recordo como eu me impressionava com elas quando recebiam a Santa Comunhão. Lembro que eu ficava a pensar: também quero receber essa “bolachinha” que faz minha mãe e minha avó ficarem tão concentradas!


É óbvio que em minha casa não se rezava apenas e que eu não era uma criança santa, que não aprontava, fui muito arteira e minha mãe foi muito ocupada com seu trabalho de prover e sustentar a todos, só tínhamos ela e só podíamos contar com ela. Minha avó não era uma “mãe com açúcar” como se convencionou definir as avós, no entanto essas duas mulheres foram minhas educadoras na fé. Sim, elas me educaram com o exemplo, não teve discursos, não teve o “vai”, pois era “vamos”: vamos rezar, vamos à missa, vamos ao grupo de oração, vamos à novena, vamos à catequese.


Minha mãe e minha avó não eram formadas em Teologia, não tinha grandes discursos sobre dogmas, ou sobre heresias, essas questões eu fui encontrar depois. No entanto dona Maria e dona Carmem me ensinaram com suas vidas que a oração é o caminho mais certeiro para Deus, que pelas mãos de Maria conseguimos encontrar o colo do Filho e que, ao recitar as palavras da oração, o coração se abastece de força e a vida se renova.


Dona Maria e dona Carmem não davam “lições sobre oração” elas rezavam e nos colocavam para rezar. Lembro que à noite, cada um em sua cama, elas nos conduziam na oração, não era o terço completo, mas não podíamos dormir sem nos dirigir à Mãezinha e pedir que ela olhasse por nós e nos abençoasse.


Minha iniciação cristã foi em casa, aos pés da máquina de costura, próxima do fogão à lenha, do tanque de roupa e dos varais cheios. Minha iniciação na oração foi ao pé da cama, foi enquanto molhávamos as plantas ou variamos o quintal. Minha educação na fé se deu no dia-a-dia da vida de duas mulheres que de tão humanas que eram, se tornaram, para mim, imagens do amor divino.

Débora Pupo é Coordenadora Regional da Dimen-são Bíblico-Catequética do Regional Sul 2, da CNBB e autora da coleção "Crescer em Comunhão" e dos livros: "Catequese... Sobre o que estamos falando mesmo?" e "Celebrações no Itinerário Catequético... Sobre o que estamos falado?", todos publicados pela Editora Vozes. Bacharel em Teologia, pela Faculdade Missioneira do Paraná, a colunista também é mestre na mesma área, formada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Curitiba, tendo como título de sua dissertação: "Iniciação Cristã e Catequese com adultos: um caminho para o discipulado".

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