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Domingo de Ramos: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? | Mc 15,1-39

Por Pe. Almerindo da Silveira Barbosa

Chegamos à Semana Santa. É tempo de reflexão sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Tempo de profunda reflexão, não somente sobre o sofrimento de Jesus como sinal de amor pela humanidade, mas também oportunidade de olhar para nossa existência e procurar viver uma vida com mais autenticidade e clareza, buscando o equilíbrio, para encontrar sentido e razão para o existir.


No Evangelho do domingo de Ramos contemplamos a paixão e a morte de Jesus. Ele nos mostra que por sermos humanos, mesmo tendo fé, diante do sofrimento, seja por um instante, iremos sentir sozinhos e abandonados por Deus.


É natural, diante da dor, acharmos que Deus nos deixou imersos na solidão. Há em nós um vazio que nos faz acreditar que podemos contar somente com a solidão. Foi o que fez Jesus diante da agonia, ao gritar ao Pai porque abandonou-o. Mesmo que por um momento Jesus sentiu sozinho e abandonado.


Porém, no Evangelho do Domingo de Ramos, há algo mais profundo e precioso a ser contemplado, do que o momento de fraqueza de Jesus, em que Ele revela seu lado humano. O texto bíblico termina com o testemunho de fé de um centurião pagão. Ele reconhece que Jesus é Filho de Deus. E, certamente, o interrogatório de Pilatos a Jesus ajudou aquele homem a discernir e compreender quem é Jesus.


Como bem sabemos, o objetivo fundamental do Evangelho de São Marcos é responder à pergunta quem é Jesus. Aqui, no penúltimo capitulo, temos o reconhecimento de que Ele não era um herói ou um rei poderoso do mundo. Ele é o Filho de Deus. Portanto, chega-se ao objetivo da pergunta do Evangelho.


O domingo de Ramos, com a proclamação do sofrimento e morte de Jesus, deve nos levar a termos a consciência de que Jesus não é apenas um grande líder ou um herói que passou na terra por um determinado tempo. Ele é o Filho de Deus, que veio ao mundo para ensinar a humanidade como se deve viver um verdadeiro reinado.


Que possamos vivenciar verdadeiramente o domingo da Paixão, como também toda a Semana Santa, para nos aproximar de Jesus, que mesmo sendo Deus, não hesitou passar pelo sofrimento e pela morte, na certeza de que foi fiel ao projeto do Pai e não desviou dele um instante sequer.

Pe. Almerindo da Silveira Barbosa, formado em Filosofia e Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, o colunista também possui especialização em Ensino Religioso, pela Faculdade do Noroeste de Minas (FINOM), e em Teologia Pastoral, realizada na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Pe. Almerindo é coautor da coleção “Deus Conosco” e do livro Quem é esse Jesus e autor da obra A missa – Conhecer para viver, também publicado pela Editora Vozes.

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