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  • Redação

E então, o que significa anunciar o Evangelho?



O anúncio do Evangelho significa prestar o testemunho de Cristo em palavras simples e precisas, como fizeram os apóstolos. Mas não há necessidade de inventar discursos persuasivos. O anúncio do Evangelho também pode ser sussurrado, mas sempre passa pela força chocante do escândalo da cruz. E ele sempre seguiu o caminho indicado na Epístola de São Pedro, que consiste em simplesmente “dar aos outros a razão” da própria esperança. Uma esperança que continua sendo escândalo e loucura aos olhos do mundo. Por esse motivo, a repetição literal do anúncio em si não tem efeito e pode cair em ouvidos surdos se as pessoas a quem ele é dirigido não tiverem a oportunidade de conhecer e prever de alguma maneira a própria ternura de Deus em relação a eles e a sua misericórdia curativa.


O senhor pode dar um exemplo do que acabou de dizer?


Na experiência comum não se fica impressionado ao encontrar alguém que sai por aí dizendo de uma maneira impressionante o que é o cristianismo, o que é bom ou ruim e o que você precisa fazer para ir ou não para o inferno ou para o céu. Na experiência comum, na maioria das vezes acontece de sermos tocados pelo encontro com uma pessoa ou uma realidade humana que surpreendem pelos gestos e palavras que revelam sua fé em Cristo. E, somente dentro dessa admiração e desse estupor que suscita perguntas, essa pessoa e essa realidade humana podem atestar e proclamar o nome e o mistério de Jesus de Nazaré, na esperança de poder responder às expectativas e perguntas suscitadas em outros por causa de seu próprio testemunho. Vejo nisso uma analogia com muitas experiências e dinâmicas específicas da condição humana. Até a criança conhece primeiro os gestos de amor de seus pais, mãe e pai, sem ainda saber seus nomes, e depois aprende sobre seus nomes. A realidade vem antes do nome. O espanto despertado pelo que o Senhor trabalha em suas testemunhas geralmente vem antes do anúncio. No final do Evangelho de Marcos, que acena para o início da pregação apostólica, depois que Jesus ascendeu ao céu, o evangelista atesta que os apóstolos partiram e pregaram em todos os lugares, enquanto o Senhor agia junto com eles e confirmava a Palavra por meio dos sinais que a acompanharam (cf. Mc 16,17-20).

 

Sobre a obra:

Sem ele nada podemos fazer

Papa Francisco

“A alegria de anunciar o Evangelho sempre brilha sobre o pano de fundo da gratidão. É uma graça que sempre precisamos pedir.” São quase sete da noite. Estamos na residência do Vaticano, na Casa Santa Marta. O dia agitado ainda não terminou. O papa fala em voz baixa. Procura por palavras. Sem pressa. Seu coração está em paz. No entanto, quem sabe quantos pensamentos – é fácil imaginar – pululam sua mente...” (Do miolo)

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