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Natividade de Nossa Senhora - 08 de setembro

A liturgia celebra a natividade de três personagens: de Cristo, da Virgem Maria e de São João Batista. O nascimento de Cristo e de São João Batista encontram referências no Evangelho, ao passo que aí não se dá notícia alguma da natividade de Maria Santíssima. Mas a liturgia não podia silenciar tão grande acontecimento, muito superior na importância ao nascimento do precursor de Cristo.

Se todo nascimento de criança é motivo justo de regozijo pela esperança que ela desperta, quanto mais o nascimento da futura Mãe do Filho de Deus, toda bela, toda imaculada, destinada a ser Mãe do Salvador da humanidade.


A primeira notícia que o Evangelho dá de Nossa Senhora é do tempo em que era noiva de São José e o Anjo Gabriel lhe apareceu anunciando sua divina maternidade. Contudo, existe um livro antiquíssimo, chamado Proto-Evangelho de São Tiago, venerado e largamente lido desde os primeiros séculos do cristianismo que nos fornece notícias prováveis sobre a infância de Maria. Nele, lemos o seguinte:

“Existia um casal justo e temente a Deus que vivia triste porque Deus não lhe tinha dado filhos. Tinha certa abundância de bens e dava generosas ofertas ao culto divino e aos pobres: seus nomes eram Joaquim e Ana. Certo dia, Joaquim viu-se repelido na oferta do Templo porque, não tendo filhos, era considerado como amaldiçoado por Deus. Então, fez a promessa: ‘Não comerei nem tomarei água até que Deus tenha atendido minha súplica’. Retirou-se para o deserto para fazer penitência. Ao mesmo tempo também Ana fazia sua prece ardente: ‘Estou triste pela minha esterilidade. Deus dos meus pais, abençoa-me, escuta minha oração, assim como escutaste e abençoaste Sara, dando-lhe o filho Isaac’. Passaram-se algumas semanas e eis que o anjo do Senhor apareceu aos dois santos velhos anunciando uma descendência:


‘Ana, Ana, disse o anjo, o Senhor ouviu tua oração. Tu conceberás e darás à luz, e em toda terra falar-se-á de tua descendência’. Passaram-se nove meses e se realizou a promessa de Deus. Ana deu à luz uma menina, e prometeu consagrá-la a Deus, no Templo, logo que tivesse chegado à idade de desmamar. Deram-lhe o nome de Maria. Toda a vizinhança felicitou o santo casal pelo maravilhoso nascimento de uma menina estando os pais em idade tão avançada, e glorificavam a Deus.”


Esta descrição singela é muito parecida com a do nascimento de São João Batista, pois trata-se da mesma intervenção divina, em favor dos seus eleitos.

Trecho da obra: "O santo do dia" - Dom Servílio Conti

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