• Redação

O amor eleva a alma

A elevação do amor ocorre no amor, e o adereço do corpo ocorre no sagrado batismo cristão, pois nada é mais alto do que o amor, e fora da Igreja não existe adereço. Por isso, enganam-se muito a si mesmos aqueles que acreditam que, com flagelações terríveis e desumanas, podem escalar a altura, apesar de terem um coração raivoso. Pois falta-lhes a virtude sagrada e humilde que pode levar a alma para Deus. E lá a falsa santidade gosta de erguer o seu trono, no qual a vontade própria exerce o domínio no coração.

“Doce Jesus, mais linda imagem primordial

presente diante da minha pobre alma, no

sofrimento e na alegria!

Eu te louvo no amor que Tu mesmo és;

no sofrimento e na alegria em comunhão

com todas as criaturas.

Isso então me alegra acima de tudo:

Senhor, Tu és o sol de todos os olhos;

Tu és o prazer de todos os ouvidos;

Tu és o som de todas as palavras;

Tu és o impulso de toda excelência;

Tu és a vida em tudo o que vive;

Tu és a ordem de todo ser.”

Trecho da obra Revelações ou a luz fluente da divindade


Sobre a obra:


A partir do ano 1250 após o nascimento do Senhor, este livro foi, durante os quinze anos seguintes, revelado por Deus a uma irmã, que foi uma virgem santa em sua vida e pensamento. Ela serviu a Deus com grande devoção, em simplicidade humilde, em profunda humilhação por mais de quarenta anos, e seguiu de modo inabalável e irrestrito a luz e os ensinamentos da Ordem dos Pregadores e, dia após dia, fez progressos e se aperfeiçoou diariamente. Este livro, porém, foi organizado e escrito por um frade da referida ordem, e muitas coisas proveitosas sobre muitos temas estão nele escritas, reunidas no índice. Deves lê-lo nove vezes com fé, humildade e devoção.


Sobre a autora:


Matilde nasceu no arcebispado de Magdeburg, em 1210. Ainda beguina, entre 1250 e 1265 escreveu A luz fluida da divindade, composta de sete livros escritos em duas partes desiguais e diferenciadas: o último foi escrito no mosteiro de Helfta, depois da morte de Henrique de Halle, seu confessor dominicano. Não se sabe muito sobre a biografia de Matilde de Magdeburg. Sabe-se que nasceu, provavelmente, em família nobre, e por volta de 1230 deixou sua família para se juntar a um grupo de beguinas, mulheres que, sem pertencer a uma ordem religiosa, viviam em uma comunidade dedicada à oração e ao serviço para os pobres. Passou muitos anos com elas, até que a perseguição das beguinas pelas autoridades religiosas, as críticas e ameaças devidas ao seu trabalho e alguns problemas de saúde obrigaram Matilde a refugiar-se, por volta de 1270, no convento de Helfta, habitado por freiras cistercienses e lar de outras escritoras, como Gertrudes a Grande e Matilde de Hackeburn.

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