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Orações do cristão católico: o Pai-Nosso, a oração que Jesus nos ensinou

  • há 11 minutos
  • 6 min de leitura

A oração que começa chamando Deus de Pai


Entre todas as orações cristãs, o Pai-Nosso ocupa um lugar único: foi o próprio Jesus quem o ensinou aos seus discípulos.


Quando eles pediram: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11,1), Jesus não lhes ofereceu apenas palavras para serem repetidas. Ensinou-lhes uma maneira de se colocar diante de Deus: como filhos que se dirigem com confiança ao Pai, buscando a sua vontade e colocando diante dele suas necessidades.


Por isso, o Pai-Nosso está presente em tantos momentos da vida católica. Nós o rezamos na Santa Missa, no Rosário, em celebrações e encontros de catequese, em família e também na oração pessoal.


É uma oração que muitos aprendem ainda crianças e continuam rezando por toda a vida. Mas justamente por conhecermos tão bem suas palavras, podemos correr o risco de pronunciá-las sem perceber toda a riqueza que carregam.


O que realmente estamos pedindo quando dizemos “venha a nós o vosso Reino”? Por que pedimos o “pão nosso de cada dia”? E o que significa pedir a Deus que nos livre do mal?

Conhecer melhor o Pai-Nosso pode nos ajudar a rezá-lo não apenas com os lábios, mas também com o coração.



Qual é a origem do Pai-Nosso?


A origem do Pai-Nosso está nos próprios ensinamentos de Jesus.


A oração aparece no Novo Testamento em duas passagens. No Evangelho segundo São Mateus (Mt 6,9-13), ela faz parte do Sermão da Montanha. No Evangelho segundo São Lucas (Lc 11,1-4), aparece quando um dos discípulos pede a Jesus que os ensine a rezar.

As duas formas bíblicas apresentam algumas diferenças de extensão e formulação, mas conservam o núcleo da oração ensinada por Cristo.


Por ter sido ensinada pelo próprio Senhor, a tradição cristã a chama de Oração do Senhor ou Oração Dominical. O Catecismo da Igreja Católica dedica uma parte importante de seu ensinamento sobre a oração ao Pai-Nosso, apresentando-o como síntese de todo o Evangelho.


Ele também ocupa um lugar especial na liturgia. Na Santa Missa, por exemplo, toda a assembleia reza o Pai-Nosso depois da Oração Eucarística e antes do rito da paz e da Comunhão.


Isso nos ajuda a perceber algo importante: o Pai-Nosso não é apenas uma oração particular. Quando dizemos “Pai nosso”, e não simplesmente “Pai meu”, reconhecemos que fazemos parte de uma família de filhos de Deus.


Entendendo o significado do Pai-Nosso


O Pai-Nosso é uma oração relativamente breve, mas suas palavras nos conduzem ao coração da vida cristã.


“Pai nosso que estais nos Céus”

Jesus nos ensina a começar a oração dirigindo-nos a Deus como Pai.


Para o cristão, chamar Deus de Pai não é apenas uma forma carinhosa de falar. Por meio de Cristo, somos chamados a participar da vida de Deus como filhos. Por isso podemos nos aproximar dele com confiança, reverência e amor.


E Jesus diz “nosso”. A oração cristã nunca nos fecha em nós mesmos. Ao rezarmos, carregamos também nossos irmãos diante de Deus.


“Santificado seja o vosso Nome”

Deus já é santo. Portanto, não estamos pedindo que nós o tornemos santo.


Pedimos que sua santidade seja reconhecida e manifestada em nossa vida e no mundo. É também um convite para que nossas escolhas, palavras e atitudes deem testemunho daquele a quem chamamos de Pai.


“Venha a nós o vosso Reino”

O Reino de Deus está no centro da pregação de Jesus.


Quando fazemos esse pedido, desejamos que Deus reine em nosso coração e que sua justiça, seu amor, sua misericórdia e sua paz transformem o mundo.


Também manifestamos nossa esperança na realização plena do Reino de Deus.


“Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu”

Nem sempre é fácil dizer essas palavras com sinceridade.


Muitas vezes chegamos à oração já sabendo aquilo que gostaríamos que acontecesse. Jesus, porém, nos ensina a confiar no Pai.


Pedir que a vontade de Deus seja feita não significa deixar de apresentar nossos desejos e necessidades. Significa aprender a colocar tudo diante dele com confiança e dizer: “Senhor, acima de tudo, quero aquilo que me conduz a vós.”


É uma verdadeira escola de abandono e confiança.


“O pão nosso de cada dia nos dai hoje”

Depois de colocar Deus e seu Reino no centro, apresentamos nossas necessidades.


O pão representa aquilo de que precisamos para viver. Pedimos ao Pai o necessário para cada dia e, ao mesmo tempo, somos lembrados de que o pão é “nosso”: não podemos ignorar as necessidades de nossos irmãos.


Para a tradição católica, esse pedido também possui uma profunda dimensão eucarística. Ele nos faz desejar e reconhecer o alimento espiritual que Deus nos oferece, de modo especial


Cristo na Eucaristia, o Pão da Vida.


“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”

Todos precisamos da misericórdia de Deus.


No Pai-Nosso, porém, o pedido de perdão está unido a um compromisso: quem recebe a misericórdia do Pai é chamado a aprender também a perdoar.


Isso não significa que perdoar seja sempre fácil ou que a dor desapareça imediatamente. O perdão pode ser um caminho. Ao rezarmos essas palavras, pedimos também a graça de não permitir que o ressentimento tenha a última palavra em nosso coração.


“E não nos deixeis cair em tentação”

Não pedimos porque Deus queira nos levar ao pecado. Ao contrário: reconhecemos nossa fragilidade e pedimos sua graça para não cedermos à tentação.


É uma oração humilde. Reconhecemos que precisamos da ajuda de Deus para permanecer fiéis quando somos confrontados com escolhas que podem nos afastar dele.


“Mas livrai-nos do mal”

Terminamos colocando nossa confiança novamente no Pai.


Pedimos que Deus nos liberte do mal e nos preserve de tudo aquilo que nos afasta dele. A tradição da Igreja reconhece nesse pedido também a súplica para sermos protegidos do Maligno.


Assim, o Pai-Nosso começa com a confiança de filhos e termina também na confiança: nossa vida está nas mãos do Pai.


Como viver o Pai-Nosso no dia a dia?


Talvez você saiba o Pai-Nosso de memória há muitos anos. O desafio agora pode ser redescobri-lo.


Em vez de pronunciar todas as palavras de uma vez, faça pequenas pausas. Pense no que está dizendo. Quando rezar “seja feita a vossa vontade”, por exemplo, apresente a Deus alguma situação concreta que esteja vivendo.


Também é possível escolher uma frase do Pai-Nosso para acompanhar o dia.


Quando for difícil perdoar: “Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”


Diante de uma decisão: “Seja feita a vossa vontade.”


Em um momento de tentação ou fragilidade: “Não nos deixeis cair em tentação.”


O Pai-Nosso também pode ocupar um lugar especial na oração em família. Pais e responsáveis podem ensiná-lo às crianças não apenas pela repetição, mas explicando aos poucos o significado de cada pedido.


Na catequese, essa oração oferece uma oportunidade preciosa para falar sobre Deus como Pai, sobre confiança, providência, Eucaristia, perdão, Reino de Deus e combate ao mal.

E existe ainda uma forma muito simples de incorporá-la à rotina: rezar um Pai-Nosso ao acordar ou antes de dormir, procurando fazê-lo com atenção.


Poucos minutos podem se transformar em um verdadeiro encontro com Deus.


Um convite à oração


Talvez você tenha rezado o Pai-Nosso milhares de vezes. Hoje, experimente rezá-lo como se estivesse ouvindo suas palavras novamente pela primeira vez.


Recorde que foi Jesus quem nos ensinou a rezar assim.


Faça silêncio por alguns instantes, coloque diante de Deus aquilo que está vivendo e, com confiança de filho, reze:


Pai-Nosso: oração completa


Pai nosso que estais nos Céus, santificado seja o vosso Nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu.


O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.


Amém.


Uma oração para levar para a vida


O Pai-Nosso nunca é uma oração que “já conhecemos o suficiente”. Quanto mais compreendemos suas palavras, mais percebemos que nelas está contido um verdadeiro caminho de vida cristã: reconhecer Deus como Pai, buscar seu Reino, confiar em sua providência, acolher e oferecer perdão e pedir forças para permanecer no caminho do bem. Que da próxima vez que você disser “Pai nosso...”, essas palavras possam ser mais do que uma fórmula conhecida: sejam o início de um encontro verdadeiro com Deus.


Continue acompanhando a série “Orações do cristão católico” para redescobrir as orações que atravessam gerações e ajudam os cristãos a crescer na fé.

 
 
 

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