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Reflexão do Evangelho: Devo estar na casa de meu Pai! | Lc 2,41-52

Festa da Sagrada Família


Por Pe. Almerindo da Silveira Barbosa


Neste domingo, Tempo do Natal, celebramos a festa da Sagrada Família de Nazaré. Esta celebração é para nos lembrar que família é sagrada. Para nós, cristãos, ela pertence ao plano que Deus tem para a humanidade. Desde a criação, o Senhor determinou que o homem não estivesse sozinho. Por isso, as primeiras palavras do homem foi fazer sua declaração de amor à mulher: “Esta sim, é osso de meus ossos e carne de minha carne” (Gn 2,23).


O texto proclamado (Lc 2,41-52), nesta festa, narra a perda do Menino Jesus no Templo, durante a peregrinação a Jerusalém, em virtude da festa da páscoa. Jesus se afasta da comitiva, sem que seus pais percebam. Três dias depois Ele é encontrado, no templo, conversando com os doutores da lei. Foi encontrado, no meio dos mestres, escutando, fazendo perguntas e respondendo. “Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas”.


Ao ser encontrado e questionado por seus pais porque agiste assim com eles, Jesus responde, dizendo que deveria cuidar das coisas de seu Pai. Mesmo não compreendendo tais palavras, José e Maria aceitaram. Após a perda e o encontro de Jesus, o Evangelho diz que Jesus “desceu então, com seus pais, para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas”.


O Evangelho desta festa é de uma riqueza inigualável. Ele é profundamente espiritual. Podemos aprender muito. Porém, gostaria de partilhar duas realidades, que nos ajudam a viver a vontade de Deus em nossa vida.


Primeiro a obediência. É através desta virtude que aprendemos a viver o plano de Deus em nossa vida. Nossa Senhora entendeu, desde cedo, a ser obediente a Deus. Ela conservou, no silêncio do seu coração, todos os acontecimentos. Jesus, por sua vez, era obediente a seus pais.


A obediência, vista pelos planos de Deus, nem sempre será entendida pelas pessoas. A frieza do coração humano impossibilita de entendê-la. Por isso, precisamos confiar em Deus. Asim, veremos suas promessas serem cumpridas.


A segunda realidade é que, no plano de Deus, a família é sagrada. Ela não é uma realidade apenas antropológica, cultural ou sociológica. Por isso que, nós cristãos, temos o dever de resgatar o plano de Deus para a família e para sua sacralidade. Que não abramos mão de valores que são inegociáveis. Que seja a família o Santuário da vida, lugar onde Deus habita. Que possamos esforçar, cada dia, para construir, em nossos lares, um ambiente que seja realmente de Igreja.


Que a humilde, mas Sagrada Família de Nazaré, ilumine com as luzes de seus sublimes exemplos as nossas famílias, para que encontremos nelas nossa história humana e divina. Que nossas crianças, possam crescer em “sabedoria, estatura e graça, diante de Deus” e do testemunho de seus pais. Isso é viver o projeto de Deus para a família. Isso é viver a sacralidade da família!


Pe. Almerindo da Silveira Barbosa, formado em Filosofia e Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, o colunista também possui especialização em Ensino Religioso, pela Faculdade do Noroeste de Minas (FINOM), e em Teologia Pastoral, realizada na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Pe. Almerindo é coautor da coleção “Deus Conosco” e do livro Quem é esse Jesus e autor da obra A missa – Conhecer para viver, também publicado pela Editora Vozes.

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