Como nasceram os Evangelhos?
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Quando abrimos a Bíblia e encontramos os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, pode parecer que esses textos surgiram exatamente como hoje os conhecemos. Mas sua história começa antes da escrita.
Os Evangelhos nasceram da experiência das primeiras comunidades cristãs com a vida, os ensinamentos, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Antes de chegarem aos textos escritos, as palavras e os acontecimentos relacionados a Jesus foram anunciados, recordados e transmitidos pelos apóstolos e pelas primeiras comunidades.

Primeiro, a vida e os ensinamentos de Jesus
Tudo começa com o próprio Jesus.
Durante sua vida pública, Jesus anunciou o Reino de Deus, ensinou por meio de parábolas, realizou sinais, reuniu discípulos e encontrou pessoas das mais diferentes realidades. Seus seguidores ouviram seus ensinamentos e foram testemunhas dos acontecimentos que marcariam profundamente suas vidas.
Depois de sua morte e ressurreição, os discípulos passaram a anunciar aquilo que haviam visto e ouvido. A memória de Jesus tornou-se o centro da pregação cristã.
Antes da escrita, veio a transmissão oral
Durante os primeiros anos do cristianismo, a mensagem sobre Jesus foi transmitida principalmente de forma oral.
Os apóstolos pregavam, ensinavam e testemunhavam nas comunidades. Os ensinamentos de Jesus, suas parábolas, seus milagres, sua Paixão e Ressurreição eram recordados e anunciados conforme a Igreja crescia e alcançava novos lugares.
O Catecismo da Igreja Católica apresenta justamente três etapas na formação dos Evangelhos: a vida e o ensinamento de Jesus, a tradição oral e, finalmente, os Evangelhos escritos.
Isso nos ajuda a perceber algo importante: os Evangelhos não nasceram simplesmente da iniciativa de alguém que resolveu registrar uma história. Eles estão ligados à memória, à fé e à pregação da comunidade cristã.
Da pregação à escrita
Com o crescimento das comunidades e a passagem do tempo, tornou-se importante registrar por escrito aquilo que era transmitido.
Os evangelistas reuniram tradições que circulavam oralmente e também materiais que já poderiam existir por escrito. Ao compor seus Evangelhos, selecionaram, organizaram e apresentaram esses conteúdos considerando também as comunidades às quais se dirigiam.
É por isso que os quatro Evangelhos apresentam muitos acontecimentos em comum, mas não são simplesmente cópias uns dos outros.
Cada evangelista possui características próprias e destaca determinados aspectos da pessoa e da missão de Jesus.
Mateus, por exemplo, evidencia de maneira especial a relação entre Jesus e as promessas das Escrituras. Marcos apresenta uma narrativa dinâmica, muito marcada pelas ações de Jesus. Lucas demonstra particular atenção aos pobres, aos marginalizados e à misericórdia. João possui uma linguagem bastante própria e desenvolve de maneira profunda a identidade de Jesus e sua relação com o Pai.
São quatro perspectivas que conduzem ao mesmo centro: Jesus Cristo.
Por que quatro Evangelhos?
A existência de quatro Evangelhos pode causar uma pergunta: por que a Igreja não conservou apenas um relato?
Justamente porque a diversidade dos Evangelhos ajuda a revelar a riqueza da pessoa de Jesus.
Mateus, Marcos, Lucas e João não são quatro histórias sobre quatro personagens diferentes. São testemunhos que, cada um com suas características, anunciam o mesmo Cristo.
Por isso, os Evangelhos não devem ser entendidos apenas como biografias no sentido moderno ou como uma simples cronologia dos acontecimentos. Eles têm fundamento histórico, mas possuem também uma finalidade de fé: anunciar quem é Jesus e convidar seus leitores ao encontro com ele.
A constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, recorda que os autores sagrados, ao escrever os quatro Evangelhos, selecionaram elementos recebidos oralmente ou por escrito, sintetizaram alguns e desenvolveram outros de acordo com a situação das comunidades, conservando o caráter de pregação.
Uma história que começou antes do papel
Conhecer o processo de formação dos Evangelhos não diminui seu valor. Ao contrário: permite compreender melhor a riqueza desses textos.
Por trás de cada página existe uma história de testemunho e transmissão da fé: Jesus viveu e ensinou; seus discípulos testemunharam e anunciaram; as comunidades conservaram e transmitiram essas memórias; e os evangelistas deram a elas a forma escrita que chegou até nós.
Assim nasceram os Evangelhos.
Textos que surgiram no coração das primeiras comunidades cristãs e que, atravessando séculos e culturas, continuam levando seus leitores à mesma pergunta fundamental: Quem é Jesus para nós?




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