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  • Redação

Maria e o Novo Testamento



O Novo Testamento é composto por 27 livros. Nele está o testemunho escrito das primeiras gerações dos seguidores de Jesus Cristo. Ali se encontram narrativas da historicidade de Jesus, seus discípulos, seus feitos e, também, a Igreja nascente e das primeiras comunidades. O Novo Testamento começa com os quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. E é seguido pelos Atos dos Apóstolos – que narra os acontecimentos da Igreja nascente – e depois as cartas, finalizando com o Apocalipse.


Já foi feito um longo e belo caminho para conhecer e descobrir a figura de Maria na Bíblia: caminhamos pelos quatro Evangelhos e pelos livros de Atos dos Apóstolos e Apocalipse. Mas, por que vimos de modo destacados estes dois livros? Por uma questão didática. Para melhor desenvolver a pedagogia desta catequese, analisar o livro dos Atos e o Apocalipse junto aos Evangelhos de Lucas e João traz uma melhor compreensão uma vez que a mentalidade do autor está presente em ambas as obras. Assim, ao conhecer como o evangelista apresenta Maria, vimos, também, como o faz em seus outros escritos.


Enfim, adentramos agora como os outros livros do Novo Testamento falam de Maria.

O livro da Nova Aliança – modo como também é chamado o Novo Testamento – apresenta a pessoa de Maria de modo bastante denso, mas, ao mesmo tempo, numa narrativa sóbria. Maria está inserida, totalmente imersa, no mistério da Salvação. Ela encarna a figura da nova criação, de todo ser humano diante do apelo de Deus para salvar em Cristo a humanidade.


Maria é apresentada na singularidade em ser a Mãe do Senhor – sua vocação e missão – e pela intensidade de sua relação com o Filho, com a Trindade, com Israel e com a Igreja.


Nos outros livros do Novo Testamento, requer maior atenção os escritos de São Paulo. Especialmente em sua carta aos Gálatas:


Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei para resgatar os que eram sujeitos à Lei, e todos recebemos a dignidade de filhos (Gl 4,4-5).


A Carta de São Paulo aos Gálatas foi escrita em torno dos anos 49-53 d.C. em uma de suas viagens apostólicas. Este é o texto mais antigo do Novo Testamento que traz referência sobre Maria. Afinal: Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher (Gl 4,4). Quem é essa mulher? Maria!


Há uma grande densidade teológica no texto, pois fala da plenitude do tempo, ou seja, quando chegou o momento exato para o qual Deus tudo tinha preparado. Ele enviou seu Filho único, o Verbo, para revelar-lhe a face. Este, nascido de uma Mulher – Maria, a Mãe do Senhor – escolhida dentre todas as mulheres. Para libertar do julgo da lei, uma expressão religiosa legalista que se baseava simplesmente no cumprimento de regras sem a verdadeira conversão do coração.


São Paulo, quando fala que o “Filho nasceu de uma mulher”, expressa a grandiosa proximidade da “Mulher” com o centro escatológico da história e o seu lugar privilegiado na História Soteriológica. Há, neste pequeno trecho do Novo Testamento, profunda Mariologia e Cristologia por meio da maternidade divina de Maria na perspectiva de trazer ao mundo o Salvador feito homem.


Mas, por que Paulo não fala mais sobre Maria em suas cartas que formam a maior parte – em número – do Novo Testamento? É preciso lembrar que São Paulo não viveu com Jesus. Ele não fez parte do grupo dos primeiros. Certamente, ele não conheceu Maria pessoalmente, mas por meio dos relatos dos outros discípulos. Paulo nem mesmo, conheceu Jesus pessoalmente em vida terrena. Tanto que ele relata pouquíssimos fatos a respeito da vida de Jesus, seus acontecimentos, sinais e milagres. Paulo – Saulo – era perseguidor de Cristãos até que viveu uma experiência de fé com Jesus ressuscitado.


Paulo vive uma revisão de fé a partir de Jesus ressuscitado. Por isso, em seus escritos ele se detém em ensinar sobre o mistério da salvação, o querigma – a paixão, morte e ressurreição de Jesus – e o modo como todo discípulo-missionário de Cristo deve viver. A densidade e importância das Cartas de Paulo são fundamentais para o conhecimento da fé e da formação dos seguidores de Jesus.


Assim, verificamos que os textos bíblicos nos quais explicitamente se fala sobre Maria estão nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos. Embora, para um bom leitor e entendedor que sabe adentrar o texto no contexto. Para aquele que sabe ler nas entrelinhas e além das palavras no sentido literário e poético, este percebe que há muito sobre Maria em toda a Bíblia.

 

Sobre o livro:


Os fundamentos de reverência e devoção a Maria estão presentes desde os primeiros tempos da Era Cristã. É ela a Santa Mãe de Jesus, que ocupa papel fundamental na História da Salvação. É Maria, a portadora da nova e eterna aliança, que carregou em seu ventre a plena revelação de Deus: Jesus Cristo. Ela é mencionada em toda a Bíblia, seja de modo direto ou prefigurado, fazendo compreender que ela sempre fez parte do projeto de salvação de Deus. O autor, ciente de quão é importante a pessoa de Maria para os cristãos e o quanto se pode aprender com ela a melhor viver a experiência de fé no cotidiano, nos propõe esta obra. Trata-se de um itinerário para conhecer a pessoa de Maria como aquela que esteve e está sempre a serviço dos mistérios de Deus, exemplo de quem o amou e serviu plenamente. Esta obra é, portanto, um meio e um convite para compreender quem é Maria na vida da Igreja e na vida dos cristãos.


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