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  • Redação

O celebrar franciscano no tempo da vida

O tempo da vida caracteriza-se por experiências de passagem desde o nascimento até a morte. Em nível cristão essas passagens ou essas páscoas podem ser vividas na fé através dos sacramentos, mistérios do culto que o Cristo deixou à sua Igreja.




Podemos dizer que os mistérios de Cristo perpassam inteiramente a vida dos cristãos, desde o nascimento até a morte. As experiências pascais dos cristãos são celebradas e vividas na Páscoa de Cristo. Esta, desdobrada nos seus mistérios, ilumina e dá sentido à vida dos cristãos. Essas celebrações são chamadas mistérios do culto. Entre eles estão principalmente os sete sacramentos.


Estamos por demais acostumados a falar em “administrar” os sacramentos, em “receber” os sacramentos. A verdadeira compreensão dos sacramentos deveria mudar o nosso modo de falar e, consequentemente, a nossa compreensão a respeito deles. Somos chamados a celebrar e viver os sacramentos. Importa tirá-los dos arquivos do nosso inconsciente e transformá-los em fontes de inspiração de vida cristã na ação da caridade. Tirá-los dos baús para ostentá-los como ações simbólicas proféticas da vida e do amor de Deus que se manifestou à humanidade em Cristo e por Cristo Jesus. Assim, poderemos superar uma compreensão mágica dos sacramentos.


A Igreja celebra os sacramentos ou, melhor, os sacramentos constituem celebrações da Igreja. Então valorizaremos os elementos próprios de uma celebração; sobretudo das celebrações dos mistérios de Cristo.


Nos sacramentos a Igreja comemora os mistérios de Cristo e da Igreja; torna-os presentes, participando deles; prefigura ou anuncia o que um dia se há de realizar plenamente e procura viver de acordo com eles. Por isso, os sacramentos constituem ações simbólicas proféticas da Igreja. Surge daí uma espiritualidade dos sacramentos, uma vida cristã vivida em nível sacramental.


O Batismo, então, não é algo apenas recebido ou vivido no passado. Ele continua presente na vida do cristão. Cria-se uma mística batismal que impele a viver permanentemente no mistério de morte para o mal e ressurreição para o bem. O cristão está num permanente processo de morte e ressurreição.


O mesmo se diga da Crisma. Sua celebração não constitui um fato acontecido e relegado ao esquecimento. Importa viver no dia a dia o mistério de Pentecostes.


A misericórdia de Deus, celebrada no Sacramento da Reconciliação, deve levar à prática da misericórdia para com o próximo, a um processo permanente de conversão, sob a ação do Espírito Santo.


No Sacramento da Unção dos Enfermos a Igreja celebra, “na experiência da doença na esperança da saúde”, o Cristo que dá uma atenção especial aos enfermos, confortando, curando e perdoando.


Nos sacramentos da Ordem e do Matrimônio, os mistérios vividos na celebração se fazem presentes, respectivamente, no serviço da salvação e na expressão do amor conjugal.


A celebração não é de proveito apenas para as pessoas que “recebem” os sacramentos. É toda a Igreja reunida que celebra os mistérios de Cristo e deles participa.


Na celebração dos sacramentos, as experiências pascais dos cristãos são lançadas no mistério pascal de Cristo, recebendo dele o seu sentido.


Assim, sempre devemos ter presente a referência à fonte dos sacramentos, que são os mistérios de Cristo; a experiência do presente, em que, no rito comemorativo, se tornam presentes esses mistérios de Cristo, dando valor e sentido às experiências de páscoa dos cristãos e o viver sacramental, de acordo com o que foi celebrado.

 

Sobre o livro:



No ano de 2010, o governo geral da Ordem dos Frades Menores instituiu uma comissão para proceder a uma revisão e atualização do calendário litúrgico da Ordem, particularmente referente ao Missal e à Liturgia das Horas. Pediu ainda a elaboração de um Ritual Seráfico, adaptando o Ritual Romano em celebrações próprias e típicas da Ordem, como jubileus, exéquias e outras. Esta comissão iniciou os trabalhos em fins de novembro de 2010. Ela achou por bem, juntamente com os livros litúrgicos da Ordem, preparar um guia da celebração litúrgica franciscana, trabalho que foi confiado ao Frei Alberto Beckhäuser, OFM como um serviço a toda a Ordem. O jeito franciscano de celebrar quer expressar a índole da celebração franciscana. O subtítulo explicita os diversos aspectos da abordagem do tema, como foi proposto na comissão litúrgica da Ordem: Guia da celebração litúrgica franciscana.


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